FrancePo é um canal para a discussão da política francesa, de seus principais atores, suas tendências e sua história, escrito por um jovem internacionalista
Google usou esse equipamento para registrar as imagens do tour
Você já pensou em visitar a Torre Eiffel e subir até o topo
sem sair de casa, sem mesmo levantar do sofá? Pois agora é possível! O
Instituto Cultural da gigante da informática Google e a Société d’exploitation de la Tour Eiffel firmaram uma parceria que
abriu as portas de um dos principais monumentos franceses às câmeras do Google
que nos proporcionam uma visita à la
Street View aos andares superiores da torre.
As equipes da Google captaram todas as imagens necessárias
para esse passeio interativo na Torre Eiffel em aproximadamente 6 horas em dois
dias de trabalho entre 6 e 9 horas da manhã sempre antes da abertura da torre
aos visitantes. Para realizar o trabalho a Google precisou desenvolver um
equipamento especial de apenas 60kg e medidas reduzidas a fim de conseguir se
mover nos espaços estreitos dos andares superiores.
Fazer um tour
online pela Torre Eiffel é fantástico...
No final das contas somos automaticamente levados a nos
questionar, por que ainda ir a Paris para conhecer a torre e admirar a paisagem
parisiense com nossos próprios olhos? A resposta é simples: vale a viagem (e a
longa espera na fila) a enorme sensação de vertigem que toma conta da gente a
partir já do segundo e terceiro andar e que não temos diante da tela do
computador e ainda a possibilidade de admirar a região parisiense em um belo
dia de SOL! Ainda, como complementos que ficam reservados à viagem e nenhum app pode proporcionar é a possibilidade
de beber champagne no topo da torre e comprar uma miniatura vinda diretamente
da China nos arredores do Champs de Mars ;)
...
ainda assim a sensação de vertigem e a bela vista de um dia de sol ainda valem
a viagem para conferir a torre de perto
Pela primeira vez,
quatro associações francesas (Associação de Franceses do Exterior/ADFE, Associação
de Pais de Alunos do Liceu Pasteur/APE, São Paulo Accueil/SPA e União dos Franceses do Exterior/UFE)
decidiram de se reunir para organizar um evento em comum: a Franco Festa.
A intenção dessas associações é de poder reunir em um mesmo dia o maior número
possível de franceses para um momento de confraternização e também para
recolher fundos para associações caritativas francesas.
A Franco Festa será
realizada no feriado de 1º de maio de 2013, no espaço Dom Pedro, entre o Jardim
Botânico e o Parque Zoológico da cidade de São Paulo. Um local próprio para o
convívio em família em meio ao parque ecológico e a Mata Atlântida que fará
esquecer o concreto da cidade!
A Franco Festa
promete ser um evento inesquecível. As diversas associações que participam do
evento irão disponibilizar diversas opções de entretenimento, como música e prática
de esportes e até mesmo circo! Tudo foi planejado para agradar à toda família,
desde os pequenos aos adultos. Uma feira beneficente (quermesse) também será organizada.
Piquenique
A proposta da
Franco Festa é organizar um grande piquenique coletivo à francesa. A fórmula
proposta é simples: cada um é responsável de trazer seu cesto. Será possível
completar o piquenique com churrasco, bebidas, crepes e bolos que serão
comercializados pelas associações.
O principal
objetivo do evento, segundo seus organizadores, é apresentar o universo das
associações francesas de São Paulo e dar-lhe apoio. Venha explorar os stands que permitirão apresentar e promover o
trabalho feito por elas no cotidiano. Será igualmente uma bela ocasião para
levantar fundos para essas organizações.
Diversos parceiros
(Mercure, Ibis, Telhanorte, Novotel, BNP, Partage Seguros, Gorioux-Faro, APE,
Windeio Green Future, os escritórios Goulène Advogados e Chenut Oliveira
Santiago) decidiram apoiar essa iniciativa e tornam possível que a Franco Festa
seja organizada nas melhores condições.
A Franco Festa é,
desde já, um sucesso anunciado, pois mais de 500 pessoas já confirmaram sua
presença. Há alguns dias do evento o entusiasmo é grande tanto do lado dos
organizadores, como que da comunidade francesa.
Informações práticas:
Data: 1º de Maio
de 2013
Horário: de 10h a
18h
Onde: Espaço Dom
Pedro (Avenida Miguel Estéfano, 4241, Água Funda, São Paulo – SP CEP 04301-905)
Tarifa: R$ 25,00
(Gratuito para os menores de 10 anos e para os maiores de 75 anos). Não será
possível comprar ingressos no dia do evento).
As informações são
do Jornal Francófono ‘Le Petit Journal’.
Sciences Po de Paris, uma das melhores universidades franceses
Assim que chegou à presidência
francesa em maio de 2012, François Hollande prometeu melhorar a situação dos
estudantes estrangeiros na França e, sobretudo, através do cancelamento da
“Circular Guéant” que dificultava o acesso dos estudantes estrangeiros ao
mercado de trabalho francês.
Em
uma visita a Cité Internationale
universitária de Paris em 16 de abril, os ministros do Interior (Manuel Valls)
e do Ensino Superior (Geneviève Fioraso) anunciaram algumas medidas para
melhorar o acolhimento à estudantes estrangeiros nas universidades francesas.
A
ministra do ensino superior declarou que a França se encontra em uma situação
“frágil” em matéria de recepção de alunos estrangeiros. Recentemente, o país
passou da 4º a 5º colocação entre os países que mais recebem estudantes
estrangeiros. Manuel Valls declarou que “Para ser relevante no mundo de amanhã,
a França deverá saber atrair os melhores estudantes, os melhores pesquisadores,
os melhores cientistas, isso diz respeito à nossa competitividade”.
Para
simplificar a vida dos estudantes estrangeiros, os ministros anunciaram uma
generalização do titre de séjour – visto
para residência na França – plurianual aos estudantes de acordo com a duração
de seus estudos, evitando a sua renovação anual junto às Prefeituras. Faz parte
do plano dos ministros ainda, aproximar prefeituras e universidades para que
melhor coordenar o acompanhamento dos alunos estrangeiros.
Da
mesma forma, o governo francês deseja facilitar o acesso dos melhores alunos
estrangeiros ao mercado de trabalho francês, o que fora restringido pela
“Circular Guéant” durante a presidência de Sarkozy. Desde a chegada de François
Hollande ao poder essa circular do Ministério do Interior foi anulada.
Os
ministros negaram que o governo pense em aumentar as taxas de inscrição nas
universidades para os alunos estrangeiros. Ainda segundo os ministros, taxas de
inscrição mais baixas é um trunfo para a França atrair estudantes asiáticos e brasileiros
que não conseguem financiar seus estudos nos Estados Unidos ou no Reino Unido.
O objetivo da França é exatamente diversificar a origem geográfica de seus
estudantes estrangeiros, atraindo, em especial, um maior número de jovens
estudantes e pesquisadores de países emergentes. Nesse sentido, a Assembleia
Nacional Francesa começará a analisar em 22 de maio um novo projeto de lei
sobre o Ensino Superior e a Pesquisa que legaliza aulas e cursos em língua
estrangeira.
Em
2011, a França contava com cerca de 290.000 estudantes estrangeiros, o que
representa 12,3% do total de estudantes no país do Hexágono. A proporção de
estudantes estrangeiros aumenta conforme o nível de especialização dos estudos.
No doutorado, a proporção chega à 41% de alunos estrangeiros.
As informações são da rubrica
política do jornal Libération
Como
adiantado pelo jornal gaúcho Correio do Povo, os governos brasileiro e francês
celebraram na última semana acordos, no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras,
que prevê concessão de 10 mil bolsas de estudos a brasileiros em instituições
francesas, no período 2012-2015. A assinatura foi feita pelos ministérios da
Educação (Brasil) e das Relações Exteriores e Europeias (França) em Brasília
durante visita de seu correspondente ministro Alain Juppé. Na ocasião houve
ainda convênio entre Capes e CampusFrance, instituições conhecidas por
brasileiros que desejam realizar estudos no país do Hexágono.
A imagem acima, real, mostra a visita de Pompidou (à direita) e Nixon à Islândia, o evento é o primeiro a ser retratado no filme de Aknine.
Bom, como todos estão percebendo muita coisa (ruim) está ocorrendo a Europa e a França tem sido o centro político de todos estes eventos: Cúpula de Bruxelas, G20, etc. As notícias tem sido muitas e impedem que um blog de análise possa, a todo o momento, escrever um artigo analisando todos os acontecimentos. Proponho portanto, um post diferente de todos os demais: uma dica de filme!
Assunto, claro que não tem faltado então, porque um filme? Primeiro vou apresentar o filme, isso servirá de resposta à pergunta anterior. Mort d’un Président (França/2011 90min) retrata os últimos dias de vida do presidente francês Georges Pompidou, que governou a França entre 1969-1973 e foi um importante presidente para o país do Hexágono, coube a ele a difícil tarefa de ocupar a presidência após a saída do General De Gaulle em 1969. Mais do que apenas retratar aspectos pessoais da vida de Pompidou, o filme do diretor Pierre Aknine retrata um importante momento da vida política francesa: o surgimento da UDF (Union pour la Démocratie Française – União para a Democracia Francesa, antecessora da MoDem de François Bayrou, do qual nós falamos no post anterior) substituindo a gaullista UDR (Union des Démocrates pour La République - União dos Democratas para a República) como primeira força da direita francesa, um fenômeno comparável irá ocorrer apenas nos anos 70 e 80 na transição dos comunistas para os socialistas como primeira força da esquerda.
Chamada na France3 do filme Mort d’un Président (exibido em 12/04/2011, no Brasil o filme está em cartaz no canal pago TV5 Monde).
O poder pelo poder
Tornando a coisa um pouco mais tropical, poderíamos comparar os últimos dias de Pompidou aos do nosso ex-vice-presidente Zé de Alencar? Não!
Não, a resposta é simples, ao passo que nosso ex-vice tenha nos seus últimos dias e meses travado uma luta pela vida (o que não torna heróica a sua morte, apenas semelhante a de milhões de outros brasileiros), o ex-presidente francês travou uma luta pelo poder: por diversas vezes Pompidou declara a sua mulher, claramente a favor de sua saída do poder, que não poderia simplesmente deixar a presidência pois os franceses tinham esperanças em torno dele e o amavam, assim “como decepcioná-los?”
Mais do que retratar o sofrimento pessoal de Pompidou e sua família, o filme tratou de retratar sua luta por indicar seu sucessor, de sua luta para permanecer até o final de suas capacidades frente ao poder e por imacular-se na lembrança nacional. Uma cena ímpar do filme é a negociação de Pompidou e seu escolhido à sucessão, Valéry Giscard d’Estaing (VGE) para que este último levasse adiante seu projeto de construir um centro multicural, o futuro Centre National d’art et de Culture Georges-Pompidou em Beaubourg/Paris. VGE se comprometeu com a idéia do presidente doente, levou a disputa por sucedê-lo e terminou por entregar o centro em 1977.
Jean-François Balmer interpreta o Presidente Pompidou. Na cena, a mídia começa a cobrir sua doença.
Não ao aventureiro Mitterrand: Chirrac, o futuro da República!
De uma coisa eu fiquei convencido ao assistir Mort d’un Président, Jacques Chirac seria, mais cedo ou mais tarde, presidente da República. Em 1973, quando os problemas de saúde de Georges Pompidou se tornaram um problema de primeira ordem na agenda de seus conselheiros, Marie-France Garaud e Pierre Juillet, estes dois gaullistas de corpo e alma tornaram o então ministro da agricultura Jacques Chirac como sua grande vedete e principal nome a sucessão de Pompidou, o que não se concretizou apenas dado à obsessão de Pompidou em impedir sua nomeação e avançar na idéia de ter Giscard d’Estaing como sucessor. Chirac, conforme mostram as últimas imagens do filme seria nomeado Primeiro-Ministro de Valéry Giscard d’Estaing em 1974 (Chirac, um confesso gaullista seria primeiro-ministro outra vez entre 1986 e 1988 na era Mitterrand, antes de ser eleito presidente pela primeira vez em 1995). Outra cena memorável em relação a Jacques Chirac é o contragosto do então presidente Pompidou ao nomeá-lo Ministro do Interior (um dos ministérios mais importantes da República Francesa) em 1974, em uma aparente vitória de Garaud e Juillet.
Marie-France Garaud e Pierre Juillet, conselheiros de Pompidou tentam emplacar o jovem Chirac (abaixo à direita) como sucessor de Pompidou na presidência.
Além de Chirac, outro futuro presidente francês que é retratado no filme é François Mitterrand, ainda que o presidente socialista não apareça pessoalmente no filme, seu nome é citado diversas vezes, sobretudo nas reuniões secretas promovidas pelo ministro Michel Debré. Mitterrand é também um personagem importante na “união” em torno do nome de Giscard d’Estaing (VGE), grupos gaullistas resistentes a Pompidou, como o liderado por Debré (inimigo de Pompidou dentro do espectro gaullista) aceitam o apoio a VGE,ou um silencioso apoio ao ex-primeiro ministro Chaban-Delmas (rival da maioria dos gaullistas - candidato do centro à sucessão de Pompidou) para evitar a vitória do “aventureiro” Mitterrand.
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Uma coisa que me ficou a mente com todas as intrigas, disputas de poder, confrontos de facções do partido ao olhar aos 90min de Mort d’un Président foi como deve ter se dado a corrida interna ao Partido dos Trabalhadores (Brasil) na sucessão de Luís Inácio da Silva. No final podemos perceber que, não importando ser de direita ou esquerda, o homem é sedento pelo poder, se ele não pode controlá-lo diretamente, logo trata de designar alguém próximo para mantê-lo. Esperemos que no Brasil a decisão de Lula tenha sido mais acertada do que a de Pompidou ao escolher Giscard d’Estaing. Por ora, queria que vocês analisassem o pequeno trecho da obra-prima terminal de George Orwell, 1984, no qual a personagem O’Brien, todo poderoso do partido dominante em Oceania, descreve seus objetivos e os do partido:
“De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.' “
George Orwell 1984
Para ver « Mort d’un Président »
O cenário merece elogios, muito bem preparado. No detalhe “o” carro presidencial da época, um Citroën DS
O filme Mort d’un Président foi feito exclusivamente para a televisão e foi exibido pela primeira vez em 12/04/2011 na rede de canais France3 (que o próprio Pompidou criou quando presidente). No Brasil, o filme foi exibido pela primeira vez em 04/11/2011 no canal pago TV5 Monde. Por enquanto resta ficarmos na torcida que ele seja reexibido, pois pelo momento não é possível encontrá-lo nem para download nem para compra pela internet. Qualquer novidade em relação a isto, FrancePo imediatamente informará, pois Mort d’un Président é sem dúvida um filme que não deve ser desconsiderado em estudos da França da Vª República.
Um trecho do filme, mostrando o relacionamento de Pompidou com seus conselheiros Marie-France Garaud e Pierre Juillet.
Para saber mais indico o blog abaixo (em francês).